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A faculdade o que ela mudou em mim

19.8.14

Hoje eu preciso falar de como a minha vida mudou.
Quem faz faculdade sabe do que eu estou falando, ou pelo menos acredito que saiba. Porque com quase todo mundo que eu conheço foi assim.
A faculdade me mudou. Me mudou, assim, demais, mesmo eu só estando no segundo ano do curso ainda.
Pra começar, meu curso é integral, o que significa que eu me dedico integralmente à faculdade, não trabalho e nem faço mais nada na minha vida, simplesmente porque passo minhas manhãs e tardes em aulas. Além disso, eu tive que me mudar de cidade e morar longe da minha família por causa da faculdade, já que perto de casa não tinha o curso que eu queria numa universidade pública. Não que agora eu more muito longe, fico só a duas horas e meia de distância da minha cidade e vou para lá em praticamente todos os fins de semana. Mas devido a essa mudança e a eu passar tanto tempo na faculdade, imaginem vocês.
A coisa mais básica foi: aprendi a me virar se quisesse comer. Claro que aqui tem restaurante universitário e tal, mas não é sempre que o cardápio tem um manjar dos deuses ou que eu estou a fim de sair de casa para jantar. Então, faço um arroz e frito alguma coisa. Não é nada tão difícil, mas acreditem, eu não sabia fazer quando morava com meus pais. E agora eu sei. Eu faço minha comida.
Depois, tem o fato de que a cidade que eu moro agora é grande e eu vivi a vida toda numa cidade com 30 mil habitantes em que todo mundo se conhece, e essa foi a razão por eu ficar apavorada ao me mudar para cá. No entanto, assim que aprendi a perguntar as coisas para as pessoas na rua e a pegar ônibus e a guardar milhões de cartões com números de táxis clandestinos, foi que eu descobri as delícias de Ribeirão Preto. Shoppings lindos, o teatro mais bonito que eu já vi, shows, barzinhos maravilhosos, um centro lotado e abarrotado de lojas, até parques adoráveis. Eu e meus amigos entramos amontoados num táxi em que o cara topa levar seis pessoas, e vamos felizes observando a cidade passar enquanto (quase sempre) toca Clarity no rádio.
Muitos diriam que tem a questão de não precisar pedir aos pais quando vai sair. Para mim isso não fez tanta diferença porque meus pais são tranquilos e eu saía sem problemas quando estava em casa também, mas é claro que tem aquela coisa de não avisar, mas não porque você não quer, mas porque não precisa, já que para eles não faz a mínima diferença saber onde você está (ah, eu não sou muito festeira, então eles sabem que no máximo eu vou a algum barzinho ou na casa dos amigos). Isso também dá uma sensação de independência bem legal. Bom, fora tudo isso, tem o campus em si, que é maravilhoso (a USP de Ribeirão tem um dos campus mais lindos do Brasil) e me ensinou o que é ficar animada todos os dias para ir para a faculdade porque você sabe que vai passar por um caminho lindo e agradável e cheio de árvores com os raios do sol passando entre elas. Isso fez muita diferença na minha vida.
E ainda além de aspectos físicos, eu não sei se é porque faço psicologia e este é um curso que faz as pessoas pensarem e refletirem e até mesmo viajarem um pouco, mas eu mudei minha visão sobre muitas coisas. Eu tenho um olhar muito mais crítico agora, eu me envolvo nas discussões, tenho opiniões mais fortes, sei discernir com mais facilidade o que é verdadeiro do que não é. Faço trabalhos que jamais imaginaria fazer quando estava no Ensino Médio, trabalhos grandes e legais, que me fazem aprender coisas ao invés de só decorar coisas, trabalhos em que eu penso em cada detalhe e encontro muitos erros sem precisar que um professor fique apontando cada um deles.
Eu tenho menos preconceitos agora. Não que eu fosse uma pessoa racista ou homofóbica antes, mas todos têm seus preconceitos particulares. E eu venho tentando me desfazer de cada um deles, e conseguindo. Tento não julgar ninguém, tento entender o lado das outras pessoas, tendo discutir com racionalidade e argumentação. Afinal, se eu serei psicóloga, isso é fundamental.
Também passei a ver a religião com um olhar um tanto quanto diferente mas isso é outro assunto.
O fato é que agora eu não tenho como pedir para a minha mãe fazer as coisas por mim, não posso esperar que alguém venha me acordar, não posso esperar que ninguém decida nada por mim. Sou só eu. E isso é tão maravilhoso!
Olha, a faculdade exige coisas difíceis de nós, é puxado mesmo, você vai passar madrugadas inteiras estudando. Mas vai valer a pena, pois são momentos que você guardará para a vida toda. E as mudanças são MUITAS.
Só posso dizer que recomendo!

Outro post hihi

14.8.14

Dois dias atrás, eu tive minha primeira aula de Psicologia Social de verdade.
A Psicologia Social é uma disciplina interessante porque, ao contrário da maioria das outras vertentes da Psicologia, ela não enxerga o homem só. Ela enxerga o homem tendo em vista seu contexto, a sociedade que o rodeia. Nessa minha aula de dois dias atrás, o assunto foi a alteridade e a identidade, a nossa relação com o mundo, com o outro. O outro, essa coisa que em nenhum momento foi bem definida. Ninguém sabe exatamente quem é o outro. E foi aí que meu professor, um cara português com sotaque forte e uma densa barba branca, disse uma frase que me fez pensar. "Me diga quem é teu outro e eu te digo quem és". Ele disse que para se pensar no que é ser negro, tem-se que pensar automaticamente no que é ser branco. Para pensar o que é o homem, independentemente de orientação sexual, deve-se pensar no que é a mulher. Um judeu na Palestina provavelmente diria que seu outro é um árabe. E aí eu pensei que eu concordo com a Psicologia Social. Eu não posso ser olhada como uma pessoa isolada. Claro que cada um tem sua própria personalidade, tem seus sentimentos, e essas são coisas só nossas. Mas eu pensei que nós não conseguimos nem mesmo nos definir sem o outro. Nós somos quem somos porque existem os outros, e nós mesmos também somos o outro de alguém. O que significaria dizer que eu sou tímida, se não houvesse o extrovertido? O que significaria dizer que sou mulher, se não houvesse homens?
Segundo meu professor português, ao longo da história várias definições de "outro" já surgiram. O Outro já foi Deus, o Outro já foi nosso próprio espírito. E, na nossa aula, o Outro era o outro mesmo. 

Exemplo de postagem

13.8.14



Dois dias atrás, eu tive minha primeira aula de Psicologia Social de verdade.
A Psicologia Social é uma disciplina interessante porque, ao contrário da maioria das outras vertentes da Psicologia, ela não enxerga o homem só. Ela enxerga o homem tendo em vista seu contexto, a sociedade que o rodeia. Nessa minha aula de dois dias atrás, o assunto foi a alteridade e a identidade, a nossa relação com o mundo, com o outro. O outro, essa coisa que em nenhum momento foi bem definida. Ninguém sabe exatamente quem é o outro. E foi aí que meu professor, um cara português com sotaque forte e uma densa barba branca, disse uma frase que me fez pensar. "Me diga quem é teu outro e eu te digo quem és". Ele disse que para se pensar no que é ser negro, tem-se que pensar automaticamente no que é ser branco. Para pensar o que é o homem, independentemente de orientação sexual, deve-se pensar no que é a mulher. Um judeu na Palestina provavelmente diria que seu outro é um árabe. E aí eu pensei que eu concordo com a Psicologia Social. Eu não posso ser olhada como uma pessoa isolada. Claro que cada um tem sua própria personalidade, tem seus sentimentos, e essas são coisas só nossas. Mas eu pensei que nós não conseguimos nem mesmo nos definir sem o outro. Nós somos quem somos porque existem os outros, e nós mesmos também somos o outro de alguém. O que significaria dizer que eu sou tímida, se não houvesse o extrovertido? O que significaria dizer que sou mulher, se não houvesse homens?
Segundo meu professor português, ao longo da história várias definições de "outro" já surgiram. O Outro já foi Deus, o Outro já foi nosso próprio espírito. E, na nossa aula, o Outro era o outro mesmo. O outro, com todas as suas diferenças, que acaba fazendo com que haja nossa Identidade. E é claro que nesse ponto começa uma nova discussão acerca do que é a identidade, que é outra coisa com múltiplas definições e nenhuma definitiva, assim como a maioria das ideias na Psicologia (é isso o que venho aprendendo, que toda definição na Psicologia é fluida). Mas a identidade se forma pela alteridade, pela relação com o outro. Então o círculo se fecha. Há o outro, que é diferente de você, e pela sua relação com o outro e com o mundo, você forma sua identidade. A identidade é algo que pode mudar, e segundo meu professor, na verdade está em constante mudança e construção. Você pode em determinado momento se identificar com o outro e acabar fazendo daquilo sua identidade, e assim acontecem nossas mudanças ao longo da vida. O contato com as pessoas ao nosso redor faz com que a gente mude de opinião, mude de personalidade, construa nosso conhecimento a respeito do mundo e de nós mesmos. É observando e nos relacionando com o outro, que sabemos quem somos.
E por fim, eu que era tão descrente da Psicologia Social, saí dessa aula totalmente convencida da importância que o "nosso outro" tem na nossa vida, da importância de se analisar um indivíduo considerando suas relações externas e consigo mesmo. Não como se isso de repente se tornasse o único olhar válido para o ser humano, mas apenas uma forma a mais de tentar entendê-lo, e uma forma que, agora acredito, faz muito sentido. Mal posso esperar pela próximas aulas.