Dois dias atrás, eu tive minha primeira aula de Psicologia Social de verdade.
A Psicologia Social é uma disciplina interessante porque, ao contrário da maioria das outras vertentes da Psicologia, ela não enxerga o homem só. Ela enxerga o homem tendo em vista seu contexto, a sociedade que o rodeia. Nessa minha aula de dois dias atrás, o assunto foi a alteridade e a identidade, a nossa relação com o mundo, com o outro. O outro, essa coisa que em nenhum momento foi bem definida. Ninguém sabe exatamente quem é o outro. E foi aí que meu professor, um cara português com sotaque forte e uma densa barba branca, disse uma frase que me fez pensar. "Me diga quem é teu outro e eu te digo quem és". Ele disse que para se pensar no que é ser negro, tem-se que pensar automaticamente no que é ser branco. Para pensar o que é o homem, independentemente de orientação sexual, deve-se pensar no que é a mulher. Um judeu na Palestina provavelmente diria que seu outro é um árabe. E aí eu pensei que eu concordo com a Psicologia Social. Eu não posso ser olhada como uma pessoa isolada. Claro que cada um tem sua própria personalidade, tem seus sentimentos, e essas são coisas só nossas. Mas eu pensei que nós não conseguimos nem mesmo nos definir sem o outro. Nós somos quem somos porque existem os outros, e nós mesmos também somos o outro de alguém. O que significaria dizer que eu sou tímida, se não houvesse o extrovertido? O que significaria dizer que sou mulher, se não houvesse homens?
Segundo meu professor português, ao longo da história várias definições de "outro" já surgiram. O Outro já foi Deus, o Outro já foi nosso próprio espírito. E, na nossa aula, o Outro era o outro mesmo.
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